A Música Aleatória de JOHN CAGE

A Música Aleatória de JOHN CAGE

25 de julho de 2019 0 Por Kleiser Oliveira

John Cage deve ter sido o compositor mais original da história da música ocidental. Seu projeto de vida era repudiar integralmente a tradição ocidental, mas não num espirito de mágoa ou negativismo. Mesmo no nível mais caótico, sua música reflete uma exuberante afirmação da vida. Usou procedimentos aleatórios para liberta os sons dos efeitos “coercitivos” das regras e intenções humanas, de forma que pudesse ser “eles mesmos” (ZAHAR, 2010).

No dia 15 de setembro de 1912 nasce em Los Angeles, Califórnia, um dos mais controversos e influentes compositores do séc. XX. É considerado o pai do indeterminismo, corrente inspirada na filosofia budista Zen, que rejeita os princípios convencionais da criação musical, em favor de uma abordagem radical baseada na improvisação e na construção aleatória de sons.

Estudou composição com Henry Powell, Adolph Weiss e Arnold Schoenberg. Nos anos 30 deu início a duas das suas maiores dedicações: as companhias de dança e a composição para grupos de percussão. Durante esta década compôs Imaginary Landscape Nº 1, uma das suas obras mais conhecidas.

Constructions (1939, 1940, 1941) foram três trabalhos para percussão, em que são utilizados objetos como latas de metal ou peças de automóvel.

Em 1938, inovou ao colocar objetos como parafusos e borrachas entre as cordas do piano para modificar os sons do instrumento e assim sugerir uma orquestra de percussão.

Outros trabalhos na década de 40 incluíram Imaginary Landscape No. 2 (1941) e The Perilous Night (1944), que foi composta para a companhia de dança do coreógrafo Merce Cunningham. Muitas das suas obras nos anos 40 foram compostas para acompanhamento de dança. O objetivo passava por produzir música e dança separadamente, sem conhecimento mútuo, até se juntarem no espetáculo. Esta ideia foi desenvolvida na apresentação simultânea das obras Aria e Fontana Mix (as duas de 1958).

Em finais dos anos 40 sofreu a influência da filosofia budista Zen. Reduziu a importância musical do compositor, preferindo buscar a música no meio ambiente. Utilizou o silêncio como elemento musical.

Em Music Of Changes (1951) para piano, combinações de notas ocorrem numa sequência determinada pelo som de moedas agitadas, de acordo com o livro chinês Book Of Changes, Yijing.

Em Imaginary Landscape No. 4 (1951), o som provém da transmissão aleatória de doze aparelhos de rádio. Em 4’33” (1952), os executantes sentam-se silenciosamente perante os instrumentos, e os sons soltos que são produzidos pelo ambiente constituem a música. Outro trabalho que se destaca é Theatre Piece (1960).

Os seus trabalhos influenciaram um grupo de compositores de Darmstdt (onde Cage ensinou na década de 50), incluindo Karkheinz Stockhausen, e as técnicas aleatórias de Lutoslawski. Por sua vez, Cage ganhou o interesse pela música eletrônica – patente em Williams Mix (1952), Fontana Mix (1958), e Cartridge Music (1960), e em partituras gráficas, nas quais a notação musical convencional é substituída por símbolos especialmente elaborados – tal como em Music For Carillon no. 1 (1952) – ou por imagens preexistentes – como  em Renga (1976), onde são utilizados desenhos de Henry David Thoreau.

Nos últimos cinco anos de vida, Cage compôs mais de 60 obras, cujos títulos refletem o número de executantes envolvidos, tal como em Four, para quarteto de cordas (1989), Twenty-Six, para 26 violinos (1992), e 108, para uma grande orquestra (1991).

Os seus livros, compostos de conferências e contos, assumem por vezes os princípios de construção aleatória da sua música, destacando-se Silence (1961), A Year From Monday (1967), Empty Words (1979), eX (1983).

Segundo o site do Wikipédia, Música ou composição aleatória é um estilo de música que se desenvolveu no Século XX, na qual alguns dos elementos da composição são deixados ao acaso. O termo foi inventado pelo compositor francês Pierre Boulez para descrever trabalhos à cujos executores eram dados certas liberdades com ressalvas para a ordem e repetição das partes da obra musical. A intenção de Boulez com o termo era distinguir seus trabalhos dos compostos por John Cage que se utilizava de operações improváveis para realizá-los.

REFERÊNCIAS

blogmultiplicidade, Quem foi John Cage?. Disponível em: <http://multiplicidade.com/blog/quem-foi-john-cage/ >. Acesso em 7 de julho de 2017.

Wiki Projeto, Música aleatória. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%BAsica_aleat%C3%B3ria>. Acesso em 10 de julho de 2017.

ZAHAR, Jorge. Música Clássica: A Música Moderna: John Cage. Rio de Janeiro: ZAHAR, 2010.